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A História

 

São Paulo, 2004. 

 

Liel Lorca, perito criminal na Delegacia de Homicídios, é convocado pela Delegacia Anti-Sequestro a tomar parte numa investigação envolvendo o desaparecimento de cinco rapazes. Ao longo da investigação, Liel descobre haver nos sequestros um bizarro padrão de seleção entre os sequestrados, e que envolve numerologia, cabala, maçonaria e os fractais (partes infinitamente pequenas de uma imagem maior, mas que são iguais à imagem maior). Seu maior desafio, contudo, será lidar com o fato de que o que começou como um caso de sequestro tem tudo para terminar com uma terrível sucessão de assassinatos que ele, talvez, não consiga impedir.

 

Fractal foi uma das HQs vencedoras do PAC 23, programa de incentivo para produção de histórias em quadrinhos promovido pela Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, em outubro de 2008. O prêmio permitiu a conclusão deste projeto iniciado em 2004. O lançamento acontenceu em Novembro de 2009. Fractal é uma publicação da Devir Livraria e do Quanta Estúdio.

Projeto ganhador do ProAc de HQ de 2008

"Nuvens não são esferas, montanhas não são cones, continentes não são círculos, um latido não é contínuo e um raio não viaja em linha reta". 

Benoit Mandelbrot

Por que escrevi "Fractal"

As estórias de mistério e terror sempre exerceram um grande fascínio sobre os amantes da literatura.

Criado pelo gênio Edgar Allan Poe, num contexto de transformação histórica que imprimiu ao espírito criativo e inquieto dos autores daquele tempo as maiores expressões de angústia e incerteza diante do desconhecido, imortalizadas em personagens que atravessaram o tempo e que, ainda hoje, exercem imensa influência na produção literária de quase todos os autores do gênero, este nunca deixou de ser, em virtude, decerto, da perpetuidade destas mesmas incertezas e angústias de outrora, um dos gêneros de maior sucesso e procura pelo público atualmente. 

Estas estórias, nascidas como gênero literário, transcenderam a literatura e estenderam-se às mídias que se desenvolveram com o passar dos anos, alcançando, com o mesmo êxito, um público ainda maior, graças ao caráter global de difusão da cultura que, hoje, conhecemos. Pelo mundo, um número cada vez mais significativo de autores, quadrinhistas, e cineastas, vêm se dedicando à produção das estórias de mistério e terror, tão largamente difundidas, e tão assiduamente consumidas pelo público, o que é ainda mais interessante, de todas as idades. 

Neste sentido, e no intuito de buscar contribuir com o desenvolvimento nacional deste gênero na atualidade, propus com FRACTAL uma estória de mistério e terror inspirada nos medos e angústias conhecidos de quem mora numa cidade grande brasileira, aproximando o leitor deste conto urbano ao trazê-lo para um lugar conhecido, estabelecendo, assim, um vínculo real e tangível entre ele e o palco da ficção. 

A narrativa, de ritmo cinematográfico, encontra na cidade de São Paulo o cenário dos acontecimentos. Por se tratar de um conto policial, permeado por sutilezas sobrenaturais, tive o cuidado de conduzir larga pesquisa junto às autoridades policiais com o intuito de se familiarizar com os métodos de investigação criminal empregados no Brasil, mais especificamente, no Estado de São Paulo. 

O laboratório de quatro meses teve como resultado um conto de 64 páginas que abarca, dentro do universo ficcional, particularidades reais e cotidianas conhecidas do cidadão paulistano, e que visa não somente entreter os leitores deste gênero, mas também aproximá-los de nossa cidade, de nossos problemas e sentimentos mais profundos que podem, ou não, alimentar a mórbida atração que quase naturalmente sentimos por tudo o que nos causa medo e terror.
 

Sobre "Fractal"

Eu poderia falar horas e horas sobre este projeto tão querido!

Fractal nasceu de um telefonema recebido, numa noite qualquer de 2004, de Renato Guedes: "Marcela!", ele disse, "Quero que você escreva uma história de serial-killer pra eu desenhar". Não foi um convite. Foi um comando imediatamente reconhecido. Minha única condição: "Tem que ser em São Paulo, Renetz..."

Naquele mesmo ano me aventurei numa pesquisa de campo no DHPP de São Paulo. Para quem não sabe, o DHPP - Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, é um órgão da Polícia Civil de São Paulo que investiga, entre outras coisas, crimes de autoria desconhecida. São o nosso CSI. E são mesmo. 

Durante quatro intensos meses, tive o privilégio de conviver com as mentes mais brilhantes de nossa polícia científica.

Meu tutor era ninguém menos que Ricardo Salada, o homem que resolveu casos como o Maníaco do Parque, Suzane Von Richtofen, Celso Daniel, entre outros. Eu não podia estar mais bem acompanhada... Aprendi tudo o que podia. Vi coisas muito feias e outras que te fazem repensar tudo. Descobri uma São Paulo por trás de São Paulo, que me revelou o mundo por trás do mundo... A experiência foi de tal magnitude e intensidade que por muito pouco, sim, muito pouco, não larguei tudo para seguir aquele caminho com eles.

As primeiras páginas de Fractal são um soco no estômago. A história ali retratada é fiel ao episódio do primeiro dia de meu laboratório. A resolução do crime, violento, contra a vida de uma criança de cinco anos, foi retratado tal como acontecera. Imprimi ali muito do que aqueles quatro meses significaram. Depois a coisa melhora... A história segue... Mas segue com ela uma parte indissolúvel daquilo que foi perdido nas primeiras páginas. Por isso Fractal é um gibi para adultos.  

Eduardo Ferigato é um capítulo à parte! Como não falar deste moço?!

Eu o conheci por meio do Renato, quando soube que o Renato, que havia assumido Smalville e 24 horas, não poderia mais produzir a HQ.

Fiquei triste até o momento em que vi a ilustração que o Edu preparou. Foi bater os olhos na ilustra e a tristeza passou na hora! Curiosamente, embora eu tenha loucura pelo trabalho do Renato (e uma enorme vontade de ter uma HQ desenhada por ele!!), o traço do Ferigato casou de maneira extraordinária com a história. Parecia que Fractal havia sido escrita para ele. Hoje, sei que foi.

O Edu conseguiu imprimir às páginas tudo o que um roteirista sonha para seu roteiro. Criou o visual dos personagens, deu ideias fantásticas, encontrou soluções narrativas fantásticas, deu um show em preto e branco, coisa que não é qualquer um que faz não... Ao final da produção, tínhamos uma belíssima Graphic Novel que, para fechar com chave de ouro, ganhou a capa de ninguém menos que Marcelo Campos...

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